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domingo, 3 de julho de 2011

Eis as noivas

Bom dia meninas, tudo bem?
A C. veio aqui agora pela manhã, e como sempre, discutimos muito, com direito a grito, choro e uma enorme falta de ar da minha parte. Passada minha crise, ela começou a chorar, e me pediu perdão, disse que não queria me perder, e que me ama além da vida.

Ela me contou o quanto sofreu quando a médica falou que eu estava morta, e que ela sentiu minha falta naqueles dias e que pensou em parar de comer para ter uma morte de desnutrição, igual ao laudo que a médica tinha passado para ela.

Ela começou a lembrar nossos momentos juntas, quando me encontrou, nosso primeiro beijo tímido, as brigas por causa dos esmaltes que eu comprava e ela queria que eu comprasse roupas.A briga para que eu comece. Sabe, somos o oposto.

Ela é gordinha e feliz com isso, eu sou magrela e me acho gorda ( esses dias eu tenho a noção que to muito feia extremamente magra ok).

Eu anoréxica, ela nutricionista. Eu louca, ela também. E foi isso que nos uniu. Nossa loucura.Aí eu comecei a chorar. E ela ain jesus meu coração tá acelerado de novo rs, ela fez algo que nunca vou esquecer.

Ela, C., se ajoelhou ao lado da cama e me pediu em casamento.

ISSO MESMO!A C. ME PEDIU EM CASAMENTO. OFICIAL, COM DIREITO Á PADRE E DOCUMENTAÇÃO TUDO DIREITINHO.

Só não será numa igreja, será aqui mesmo, no hospital, cercada de enfermeiras e médicos. E ela me fará feliz para sempre. E eu estou chorando. Pois quero muito ser realmente feliz.Ganhei uma nova vida, vou aproveitar.

E Mariana Alves Campelo irá se casar com Caroline Prudente. E seremos um casal muito feliz enquanto nós vivermos. E que seja eterno.

sábado, 2 de julho de 2011

"Eu gosto mais de você agora que está morrendo"

Não foi uma frase dita pela C., mas, sinto que a cada dia que passa ela tem mais pena de mim do que amor.

Ela me conheceu numa noite bem fria, no ano passado. Ela cuidou de mim, me deu abrigo e num dia normal ela me beijou.
Eu chorei muito, não sabendo explicar o que estava sentindo. Nunca havia sido beijada daquela forma, espontaneamente o amor foi surgindo e como morava com ela, tudo ficou mais fácil.

O ano passou, minha vida antiga veio á tona. Ela sabia bem pouco do meu passado. Só sabia que eu já havia feito programas e que foi depois de um programa seguido por espancamento que ela me achou. Jogada na rua, feito lixo. Cadelinha abandonada.
Pois é. Eu realmente já fui lixo. Hoje, nem sei mais se há definição que me caiba.

Mas, não posso começar do final. Então, vou tentar escrever como começou minha vidinha de m*&%$.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Primeiro Ato - Cena 1

A cortina se abre, e em cima do palco, só uma pessoa, a protagonista de toda a história: Você.
Suando frio, mexendo nas mãos, os pés batendo de leve no assoalho do palco. Coração em uma quase taquicardia profundamente embalado ao som de seus pigarros.

Na platéia, pessoas desconhecidas, com temperamentos, gostos e opniões diferentes. Elas ouvem-te contar sobre teu passado. Tuas dores, teus medos. Abusos absurdos contados por uma voz gaguejante e um rosto marejado de lágrimas amargas.

Ao terminar, alguns irão aplaudir, outros, irão chorar, e terão aqueles mais expansivos, e mais radicais, que a irão abraçar e contar seus sentimentos e os que ao contrário de todos, irão te jogar palavras sujas e quem sabe, você até apanhe.

Pois isso tudo são as consequencias de expor sua trajetória. Um diário público, onde qualquer pode ler e julgar como bem quiser. Julgue um livro pela capa e perderás muito bom conteúdo por causa disso.

Voltando á peça teatral exemplificada acima. Nela, você não precisa aparecer nu perante os espectadores, pode e recomenda-se usar máscaras. Só lembre-se que as críticas poderão vir também mascaradas.

é assim que me sinto ao abrir este blog/diário/livro, nua perante milhares de pessoas que irão julgar se minha vida é ou não tudo aquilo que eu transmitirei a partir de agora.